Escola Básica Dr. João das Regras

2.º e 3.º ciclos

Escola Básica Dr. João das Regras

A Escola Básica Dr. João das Regras, escola sede do Agrupamento de Escolas D. Lourenço Vicente, abrange os 2.º e 3.º ciclos, oferecendo ensino do 5.º ao 9.º ano. Situada nA Escola EB Dr. João das Regras é a escola sede do AEDLV. Atualmente, frequentam a escola 609 alunos (235 do 2.º ciclo e 374 do 3.º Ciclo). Desse número, alguns alunos que frequentam a disciplina de PLNM para quem se disponibilizam  atividades de integração com apoio de uma Mediadora Cultural e Linguística.

Além do currículo do ensino geral, os alunos desta escola têm a oportunidade de enriquecer as suas aprendizagens com as seguintes ofertas complementares:

  • Expressão dramática (5º  e 7º anos de escolaridade);
  • Artes e Ofícios (6º de escolaridade);
  • Tecnologias (8º de escolaridade);
  • Projetos e tecnologias (9º de escolaridade).

Os alunos do ensino artístico especializado de música frequentam essa modalidade em regime articulado sendo as disciplinas artísticas lecionadas pela Escola de Música de Óbidos com a vantagem de serem ministradas no mesmo espaço físico das disciplinas do ensino geral. 

É também na escola sede do AEDLV que funciona o Curso de Educação e Formação de Padaria e Pastelaria, permitindo que muitos jovens do nosso concelho concluam a escolaridade obrigatória, preparando-se para o mercado de trabalho, sendo, por isso, uma excelente oportunidade para jovens que procuram uma formação mais prática e certificada. 

Funciona ainda na escola sede o Centro de Apoio à Aprendizagem (CAA),  complementando o trabalho feito em sala de aula através de atividades e apoio individualizado, envolvendo docentes, técnicos especializados e outros agentes educativos. 

Os serviços administrativos bem como o órgão de gestão estão sediados neste edifício.

Na Escola Dr. João das Regras os alunos podem participar nas atividades do Desporto Escolar. A inscrição é feita geralmente junto do professor de Educação Física da escola, após autorização do encarregado de educação. Neste momento, a Escola oferece aos alunos a possibilidade de desenvolver as seguintes modalidades desportivas:

Na escola sede funciona ainda o SPO – Serviço de Psicologia e Orientação, unidade especializada de apoio educativo, integrada na rede escolar, que se destina a toda a comunidade educativa (alunos, professores, funcionários e encarregados de educação).

Os serviços administrativos bem como o órgão de gestão estão sediados neste edifício. Venham conhecer-nos / visitar-nos!

João das Regras: A Escola Que o Tempo Não Apagou

Dizem que do passado vivem os museus… mas há memórias que não cabem em vitrinas.

Há escolas que ficam nos livros, e há outras que ficam cravadas na pele.

A antiga Escola EB 2,3 Doutor João das Regras, na Lourinhã, já não existe como a conhecemos — mas vive em cada um de nós que por lá passámos.

Entre setembro de 1992 e junho de 1997, aqueles muros foram muito mais do que salas de aula. Foram um palco de crescimento, choque, descoberta… e, acima de tudo, vida.

Eu vinha de Albufeira — um mundo à parte. Nos inícios dos anos 90, parecia a Califórnia que víamos nos filmes: praias cheias, arcades, cinema, shopping, luz e movimento. Um miúdo perdido entre bolas de mini basketball, tardes ao sol e faltas às aulas que me custaram um ano. E de repente… Lourinhã. Um regresso às origens, mas também um mergulho no desconhecido.

Cheguei como quem aterra noutro planeta.

Um “alien”, no meio de caras estranhas, histórias diferentes, vidas já feitas. Colegas mais velhos, alguns já homens, outros que vinham de trator para a escola — uma realidade que não se ensinava nos livros. Foi um primeiro ano de adaptação, de silêncio, de observar mais do que falar.

E não foi a última vez que me senti deslocado.

No 7º ano, uma nova turma — filhos de médicos, de gente “importante”. Mais uma vez, eu de fora, a tentar encontrar o meu lugar num mundo que parecia já ter regras próprias.

Mas a vida tem destas ironias: quando menos esperamos, encaixamos.

No 8º ano, finalmente, encontrei uma turma onde me senti bem. Gente mais velha, mais vivida, mas com quem havia respeito e ligação verdadeira. Ainda hoje, alguns desses laços resistem ao tempo. Mesmo com mais um tropeço pelo caminho, voltei a levantar-me — e foi na última turma, aquela com quem fiz o 8º e o 9º ano, que encontrei o verdadeiro espírito de grupo. Unidos, iguais nas diferenças, com histórias que ainda hoje se contam.

Mas esta história não é só sobre turmas.

É sobre uma escola que era um pequeno universo.

Ali havia de tudo:

os craques da bola que enchiam os campos,

os surfistas e skaters com o sal ainda na pele,

os amantes de rock, os “nerds”,

as miúdas populares que faziam parar corredores,

os filhos de emigrantes vindos do Canadá ou de França,

e todos os outros que davam cor àquele cenário.

Era, no fundo, aquilo que víamos nos filmes americanos… mas em versão Lourinhã.

Os recreios eram autênticos espetáculos: dois campos sempre ocupados, bancadas improvisadas, jogos intensos, torneios interturmas, desporto escolar que nos fazia sentir profissionais por um dia.

A rádio da escola era a nossa banda sonora — uma mistura de hits da década com clássicos que ainda hoje sabemos de cor.

O bar… onde uma sandes e um sumo custavam escudos e sabiam a ouro.

A cantina, com filas intermináveis e conversas que valiam mais do que a refeição.

E depois havia os personagens.

Professores que marcaram — uns pela exigência, outros pelo carisma.

Contínuos que eram quase figuras míticas.

E um diretor que, naquele tempo, impunha respeito à moda antiga — duro, temido, inesquecível.

Havia também o lado menos bonito — mas real.

As alcunhas, as provocações… o que hoje chamamos bullying, mas que na altura era “apenas” parte do ambiente.

Os bad boys no Pica-Pau, a fumar às escondidas.

As histórias absurdas, como o falso alerta de bomba que parou a escola.

Mas acima de tudo… havia vida.

Eventos como a Casa Fantasma ou o “Chuva de Estrelas” enchiam-nos de entusiasmo.

Namoros que começavam nos corredores e pareciam eternos.

Amizades que resistem até hoje.

E momentos únicos — como quando a escola parava para ver Dragon Ball, todos colados à televisão, como se o mundo lá fora deixasse de existir.

Foram cinco anos imperfeitos, intensos, por vezes duros… mas profundamente reais.

Mais positivos do que negativos. Mais verdadeiros do que qualquer ideal.

Hoje, aquela escola já não existe como era.

Mas não desapareceu.

Vive nas histórias que contamos, nas gargalhadas que ainda ecoam na memória, nas pessoas que nos tornámos.

Porque há lugares que o tempo leva…

e há outros que o tempo transforma em eternidade.

E eu fui feliz ali.

Autoria do Texto Filipe L LR

Actividades:
  • Desporto Escolar

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